O dia da linfadenectomia estava chegando e, junto com
ela, viria a realização da biópsia para confirmação do tumor maligno chamado
linfoma. O engraçado naquela época era que, mesmo tendo um prognóstico ruim
pela frente, outra coisa estava me tirando o sossego. Por incrível que pareça,
eu estava com mais medo de fazer o procedimento cirúrgico, que era muito
simples, do que de ter que encarar um câncer.
A tensão era grande. Na hora de dormir, durante todos os
dias, eu ficava pensando em qual seria o tamanho da agulha da anestesia, qual
seria o tamanho dos cortes, se os pontos iriam doer muito e todas outras coisas
que, na realidade, não deveriam me incomodar.
O cirurgião havia identificado um grande linfonodo perto
da veia cava. Essa veia é de extrema importância por possuir um grosso calibre
e trazer todo o sangue dos membros inferiores e órgãos do abdome para o peito,
ou seja, qualquer corte nela seria um problema de risco quase que fatal.
Contudo, mesmo assim, eu só sabia pensar na agulha, nos pontos, na dor etc.
O meu nervosismo era tanto que algumas amigas do trabalho
tiraram um intervalo em um dos colégios em que eu trabalho e foram ter uma
conversa tranquilizadora comigo, na qual conversamos sobre confiança,
perseverança e Fé. Esse evento com as meninas do trabalho me ajudou muito já
que eu não falava sobre o assunto com meus pais para não os assustar, muito
menos com meus amigos. Afinal, eu nunca tive o costume de falar dos meus problemas
com os amigos e esse BLOG é a minha primeira iniciativa nesse intuito.
O dia 17 de julho estava chegando e agora faltava correr
atrás da UNIMED para conseguir as autorizações para a realização da
linfadenectomia. Possuo plano de saúde e isso ajudou muito, mas, como sempre no
Brasil, nem tudo correu tão bem como deveria e no dia do procedimento fui
surpreendido com a notícia de que os materiais necessários para o médico
cirurgião e sua equipe trabalharem não haviam chegado ao hospital apesar de
terem sido autorizados pela UNIMED na semana anterior.
Por causa da falta de comunicação entre o plano de saúde
a empresa terceirizada que disponibiliza os materiais, eu, mesmo com toda
tensão de quem está prestes a descobrir se tem um câncer e pior, alguém que estava
TOTALMENTE APAVORADO com o tamanho das agulhas, os pontos e com todo o resto, tive
eu que argumentar seriamente, quase aos berros, com a UNIMED e a recepcionista
do hospital Amparo Feminino, no Rio Comprido, até que o problema, que não era
meu, fosse resolvido.
Outro fato engraçado é que, apesar do nome (Amparo
Feminino), o hospital atente homens também, mas isso era o menos preocupante.
Resolvido o problema com o plano de saúde, fui
encaminhado à enfermaria para esperar, ansiosamente, a visita do médico
cirurgião e da anestesista antes do procedimento. De roupão, nervoso, suando
e com o bumbum de fora, aguardava os médicos naquele quartinho de duas camas
que chamam de enfermaria.
O médico e a anestesista chegaram e eu, naquela hora, só
pensei em uma coisa:
- E vamos que vamos, pois a agulha é grossa e os pontos
doem...
É dessa forma que eu vejo uma agulha... =-O
Esse sou eu no dia do procedimento em julho de 2013. Estava 20 kg mais magro =(


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